Não há uma única forma certa. Há uma forma que respeita a erva — e é dela que partimos.
Antes do primeiro mate, a cuia precisa de tempo — principalmente se for de porongo.
Comece enxaguando a cuia nova em água corrente, para remover resíduos do processo de produção. Encha com erva-mate (pode ser erva já usada) até pouco mais de 3/4 da cuia, e complete com água morna até cerca de um dedo da borda. Deixe descansar entre 12 e 24 horas.
Esse tempo é o que permite ao porongo — que é poroso — absorver a água e preparar sua parede interna para o uso. A erva, nesse processo, absorve parte dessa água para não sobrecarregar o porongo logo na primeira etapa, e ainda ajuda a impregnar um sabor inicial na cuia.
Passadas as 12 a 24 horas, descarte todo o conteúdo e enxague bem. O primeiro mate deve ser cevado com água em temperatura mais baixa que o normal, já que o porongo ainda está se acostumando a receber água. Esse processo pode — e deve — ser repetido por 3 a 5 usos, até que a cuia esteja bem protegida internamente.
Um cuidado importante: nunca use água muito quente nesse período inicial. O choque térmico pode trincar a parede externa do porongo — e uma cuia rachada vaza, e uma cuia que vaza está perdida.
Vale lembrar: nem toda cuia passa por esse processo. Algumas já vêm curtidas a fogo pelo próprio produtor. Este processo específico é para cuias de porongo — cuias de madeira seguem um preparo diferente, e cuias de cerâmica ou inox não precisam de preparo algum antes do primeiro uso.
Encha a cuia com erva-mate selecionada até aproximadamente 3/4 de sua capacidade. Tampe a boca da cuia — com a mão ou com um viramate — e vire a cuia de cabeça para baixo. Dê batidas leves para assentar a erva. Em seguida, incline a cuia de forma que toda a erva se acomode de um lado, deixando o outro lado livre: é ali que vai entrar a água.
Na primeira cevada, use sempre água morna ou em temperatura ambiente — nunca quente. Isso evita queimar a erva logo de início e garante um sabor mais consistente e duradouro ao longo de toda a cevada.
Ao despejar, deixe a água escorrer pela parede da cuia — nunca despeje diretamente sobre a erva. Água direta desmonta o morrinho e é uma das causas mais comuns de entupimento.
Insira a bomba rente à parede da cuia. Quando o bojo tocar o fundo, gire levemente para um dos lados, acomodando-o entre a erva e a água — metade em cada. É essa posição que sustenta as cevadas seguintes sem entupir.
A partir da segunda cevada, a água já pode subir para a faixa de 70 a 80 graus — nunca fervente. Sirva sempre no mesmo ponto, mantendo intacta a parte seca da erva do outro lado da cuia: é ela que sustenta o mate por várias rodadas.
Água fervente queima a erva, e o amargor resultante não tem volta.
Com o passar das cevadas, o mate tende a "lavar" — perder sabor. Quando isso acontecer, jogue um pouco da erva seca que ainda resta do lado intacto por cima da erva já molhada: é uma forma simples de renovar o sabor sem trocar toda a erva.
Pronto: o mate está pronto para ser tomado sozinho ou compartilhado. A cada rodada, a mesma atenção ao ponto, à parte seca e ao gesto — é isso que separa um mate bem cevado de um mate qualquer.
Ao terminar o mate, descarte a erva. O que vem depois depende do material da cuia.
Porongo: enxague com água e deixe secar por completo — cerca de 12 horas, com a boca virada para baixo ou apoiada de lado, em local arejado.
Madeira: não lave com água no dia a dia. A limpeza é feita a seco, com papel toalha, após cada uso. Deixe secar ao ar antes de guardar.
Em qualquer material, cuia guardada úmida ou fechada cria fungos. A secagem completa é o que garante vida longa à sua cuia.